A SERPENTE

Como um anjo no teto de um teatro,
tu estavas deitada no chão.

A cabeça pra trás, rodando
o corpo, corpo aceso. Os olhos
vermelhos, brancos e pretos, acompanhando
qualquer movimento, palavra ou pensamento.

Ali nos serpenteamos
o primeiro beijo
de tantos.

Você veio do fundo da terra,
você veio de vários lados
e dançou comigo em
meus braços;
pro leste, oeste,
norte e sul, nos
oceanos e palcos.

Serpente
das portas
da luz,
do blues
da escuridão,
das letras
das peles e garras,
muito grato.

Estavas aí
para matar-me.
Depois da mordida
me deixaste.

(Guebo)

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