DANÇAS



"Dançamos em voltas,
Por tu, por tua volta.
E quando vens?
Nu. Nutrir.
Enquanto nós, no triz.
Urge Dançar!"
(Camilla Sarno)



- Danças.
Nesse exato momento,
Danças.
E só.
Em prol da vida,
És Sol;
Como tal,
Queimas, esquentas, borbulhas,
Dilatas, feres meu frio,
Fico quente,
Meu peito sente
Quem é você.
Seu corpo diz
Febre em mim.

- Filho parido único
Da solidão bastarda,
Minha mão morna e comum
No teu cangote e uma
Pontada do meu dedo
Te sabe e grita,
Atravessa e cala.
Sela nossa amizade.

- A imagem que agora danças
Me verga e me chama!
Devo conhecer-te, ir aí?
Ainda posso verter os passos...

- Não!
Com calma, entenda
Nossos climas históricos.
Danço por ti também, fantasma!
Mas não caio na tua sombra,
Tenho a minha como par.
De noite te esqueço,
De dia vibro,
Algo disto é você,
Não importo que seja,
Dou-te tempo
Pra pensar e escrever,
Poeta-indivíduo.

Danço e não estou só,
Nunca!
Sou muitas, se contas!
Sem contos,
Diz Esperança, que danço!
Diz assim, para nosotras!
Mexe, afaga, arfa, afoga, canta
O Sim, os sinais, conte as horas
De uma vida esperançosa,
Fortaleça nossa roda,
Entra, cai, chora, queima!

Olha pra mim
(Solta teus braços)
Me abraça
(Solta tuas pernas)
E dança
(Entra em nós)
Com quem te ama.

Agora,
Fora.

(Guebo)

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