DESEJOS


A mulher e seu poema

São flora e fauna vivas
De desejo

A morena e sua presença

De palavra em palavra
Não arrependem nada

Colhendo frutos da poesia

Corre no sangue uma paz tranquila
A mente esquenta como calor de praia
Molham-se os dentes como água doce

Ardem na escuridão as mãos vermelhas e as unhas pretas

Flamejam como astros a menina rubra e a mulher negra
Dançam bestas nas cabeças do céuser verde e azul escuro
São pretos feito leite e brancos feito noite
Os olhares luares que tão dentro d`outro brilham

Colhendo frutos da rua

Da brisa delá que beija libidos
Pelos seios de perfumes livres
Alívios de noite e de dia vivos
Pelos riscos pequenos e grandes
Todos valem demais

Ariscam os pelos da refavela nua

Alugam a língua naquela música
Admitem paixão de arte e lua
Atiçam e roçam dentro do teatro
Convivem em transas de flores e frutas

Vale, vale, vale

Ser
Rio
Pra ver
Da cidade alta
O mar
E na cidade baixa
Cair
Lambuzar-se no mangue-
Mar
Deitar n`água calma
E ir
Na cama do mar
Raiar
À lua de almas
Amor

Vale desejar liberdade

Desejo, vale de sombras e árvores
Cada ato e palavra como uma massã

Mortes plenas pelos abismos dos dias

Risos de gozos depois das doses
Líquidos libertadores de visgos e leites
Noites inexatas com silêncios e fumaças
Trânsitos indecentes por incêndios nas vidas
Seres inteiros de desejos em cadeias
Encontros estrondos em transamizades
Gritos femininos qu`estouram castidades:

Ai, Géssica!

Ai, Joice!
Ai, Mario!
Ai, Clarice!
Ai, que noite!
Ai, que dia!
Ai, que tarde!
Ai, que manha!
Dói!, Arde!, Dança!

(Guebo)

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